Raiva de outra pessoa: o que ela pode revelar sobre nós
Gente, eu fiz uma auto-hipnose hoje que foi muito rápida, mas muito intensa. 🤩
Eu estava muito incomodada com as atitudes de uma pessoa próxima, porque essas atitudes eram muito prejudiciais para ela mesma.
Cheguei a chorar de raiva ao ver os estragos que aquela pessoa permitia que acontecessem na vida dela ao suportar situações tão indignas.
Até que surgiu espontaneamente uma pergunta na minha mente. Tive a sensação de que ela vinha de algum lugar mais profundo:
“Você sente raiva de você quando, lá no passado, estava nessa mesma situação, vivendo os mesmos prejuízos que essa pessoa vive hoje?”
Eu respondi:
Sim.
E a raiva apareceu para ser vista e reconhecida, como uma raiva de mim mesma, não de outra pessoa ou situação.
Comecei a investigar, através de movimentos ideomotores, quais acontecimentos da minha história estavam associados àquela emoção e quais não estavam. Encontrei um padrão de auto-invalidação que tinha relação com aquilo que eu estava vendo naquela pessoa.
Eu tinha raiva de mim porque havia perdido muitos anos da minha vida em uma situação parecida.
E pensei:
“Se eu soubesse o tamanho do prejuízo que isso teria para a minha vida, eu nunca teria ficado nessa situação.”
Mas aí veio uma percepção que mudou tudo:
Eu não sabia.
Eu não sabia resolver.
Não sabia que existiam outras possibilidades. Não sabia que podia ser diferente.
E talvez esse seja um dos problemas de olhar para o nosso passado usando a consciência que temos hoje: podemos acabar julgando uma pessoa que, naquela época, ainda não tinha os recursos que temos agora, em vez de reconhecer que foi essa pessoa que nos possibilitou estar onde estamos hoje.
Foi então que entrei em contato com uma parte de mim que representava aquela Elis do passado.
Ela estava livre, mas muito desgastada. Falava fraco, com culpa e remorso, e estava no escuro.
Essa parte disse:
“Eu sinto muito. Eu não sabia resolver. Não sabia que existiam possibilidades. Eu joguei fora muitos anos da nossa vida ficando nisso. Me perdoe. Obrigada por ter me tirado de lá. Eu estou livre.”
E eu entendi que precisava perdoá-la.
Não para dizer que o que aconteceu não foi importante.
Nem para apagar as consequências daquela época.
Mas para parar de exigir daquela Elis uma consciência que ela ainda não tinha.
E reconhecer que foi ela quem conseguiu se libertar e não o meu Eu de hoje. Foi ela quem construiu o meu Eu de hoje, que pode protegê-la agora.
Depois de perdoá-la, convidei essa parte a se integrar.
Ela saiu do escuro, veio para a luz e se integrou.
A sensação foi incrível.
Eu já tenho uma vida nova há muitos anos. Mas percebi que aquela parte ainda estava presa à raiva que eu tinha de não ter tido consciência antes.
Era como se uma parte de mim ainda dissesse:
“Como você pôde ter ficado tanto tempo nisso?”
E a resposta foi justamente: “Porque eu ainda não sabia.”
Isso também me fez perceber melhor a função daquela raiva.
A raiva não estava simplesmente ali para me fazer sofrer ou para me fazer atacar aquela pessoa pelas suas atitudes, mas ela estava apontando para alguma coisa interna e mais profunda.
Ela me mostrava que aquela situação tinha um significado muito maior para mim do que eu havia percebido inicialmente.
A pessoa que eu estava observando estava tocando em uma experiência que eu conhecia muito bem.
E a intensidade da minha reação acabou funcionando como uma pista para olhar para dentro.
Isso não significa que tudo o que sentimos em relação aos outros seja uma projeção. Às vezes, o outro realmente está fazendo algo que nos incomoda, e podemos ter razões legítimas para sentir raiva.
Mas uma emoção intensa também pode carregar informações sobre a nossa própria história.
Quando conseguimos observar a emoção em vez de simplesmente agir a partir dela, podemos descobrir coisas que estavam escondidas atrás da reação inicial.
No meu caso, por trás da raiva havia uma parte minha que ainda precisava ser reconhecida, perdoada e integrada. E quando isso aconteceu, a raiva passou.
Ficou uma sensação muito forte de segurança.
A Elis de hoje sabe.
A Elis de hoje pode escolher.
A Elis nunca mais vai passar por aquela dor.
Estamos seguras. 🤩🙏🙌
E fiquei pensando em quantas vezes uma emoção aparentemente dirigida ao outro pode nos oferecer uma oportunidade de conhecer melhor aquilo que existe dentro de nós.
Talvez não seja necessário perguntar apenas:
“Por que essa pessoa me irrita tanto?”
Às vezes também podemos perguntar:
“O que essa reação está tentando me mostrar sobre mim?”
E talvez exista uma parte sua que não precise ser corrigida.
Talvez ela precise apenas ser perdoada, vista, reconhecida e acolhida.
Qual parte de você talvez esteja precisando ser perdoada pelos erros que cometeu quando ainda não tinha a consciência que tem hoje?